Edição | 07 Mai 2026

Editorial - Aceleracionismo Amazônico

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Um dos principais limites do Aceleracionismo, corrente teórica e filosófica que sugere a intensificação das lógicas capitalistas para que se acelere seu colapso e que tem entre seus principais nomes Mark Fischer e Nick Land, é seu caráter escatológico. A vertente é profícua em apontar e demonstrar os limites do capitalismo e a falta de imaginação política do presente, que parece sempre incapaz de pensar alternativas fora do sistema. Por outro lado, é precária em apontar alternativas compatíveis com os desafios contemporâneos. É aí que a dimensão amazônica entra no debate, mobilizando autores e pensamentos associados aos povos nativos do Brasil e do Sul global, que oferecem maneiras muito ricas de pensar o mundo para além do paradigma ocidental.

Ricardo Evandro Martins, professor da Universidade Federal do Pará – UFPA, propõe, justamente, reterritorializar o debate sobre o aceleracionismo em termos amazônidas para inaugurar um amplo espectro de questões incontornáveis de nosso tempo.

Lílian Gabriela Rodrigues Lobato, mestra em Filosofia pela Universidade Federal do Pará – UFPA, ressalta que uma das principais tarefas da crítica contemporânea é desvincular a ideia de fim do mundo com o fim do capitalismo. Neste contexto, é preciso ouvir o recado da mata, ouvir os povos para quem o fim do mundo é uma realidade há 500 anos.

Fabrício Silveira, doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos e com passagens por universidades nacionais e internacionais, entre elas, a Universidade Autônoma de Barcelona, na Espanha, frisa que o Aceleracionismo funciona como um motor do que poderíamos chamar de internacional ultradireitista e, ao mesmo tempo, mostra a exigência de uma esquerda que faça frente ao neorreacionarismo.

Bräulio Marques Rodrigues, doutor em Direito e mestre em Filosofia pela Universidade Federal do Pará – UFPA, ressalta que é necessário pensarmos uma ética abolicionista pautada pela generosidade, sem cair nos vícios da Modernidade.

Matheus Castelo Branco Dias, mestrando em Ciência Política na UFPA, traz uma observação interessante a respeito do Aceleracionismo, que é, precisamente, a disputa sobre as possibilidades de ritmo das questões sociais, políticas e ambientais. Pensar de outro modo implica, também, encarar o tempo de outro modo.

Por fim, contamos com o ensaio Ricochete Niilista: Joy Division, uma tradução inédita do texto de Mark Fisher elaborada pelo professor Bräulio Rodrigues. Na obra, explica o tradutor, "Fisher demonstra como o pós-punk articulou a desolação psíquica que acompanhou a ascensão do neoliberalismo, transformando o fechamento das possibilidades políticas em um confinamento existencial claustrofóbico".

A todos os leitores e leitoras, o Instituto Humanitas Unisinos – IHU deseja uma excelente semana e uma leitura prazerosa desta edição!

 

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